Plano de Cargos e Salários — método pra montar do zero (com modelo)
Como montar plano de cargos e salários do zero. Método completo em 6 etapas + modelo de tabela + Lei 14.611. Guia da RhAgil.
Como estruturar a tabela de cargos da sua empresa em 30 dias, sem consultoria de R$ 50 mil
Sem tabela de cargos, sua empresa é refém da subjetividade
Quem não tem plano de cargos e salários toma decisão errada o tempo todo: contrata pagando errado, promove sem critério, não consegue justificar salário diferente pro mesmo cargo, perde colaborador bom porque não tem perspectiva clara.
E em 2026, com a Lei 14.611 obrigando relatório de transparência salarial pra empresas com 100 ou mais colaboradores, plano de cargos deixou de ser "desejável" — virou pré-requisito legal. Sem tabela formal, qualquer disparidade salarial vira processo.
Plano de cargos não é luxo de empresa grande. É infraestrutura básica pra empresa que quer crescer sem virar zona.
O que é (e o que NÃO é) plano de cargos
É:
- Lista padronizada de todos os cargos da empresa
- Descrição de atividade, requisitos e responsabilidades
- Banda salarial (mínimo e máximo) por cargo
- Critério objetivo pra entrar, progredir e ser promovido
- Hierarquia clara entre cargos
NÃO é:
- Documento estático que se faz uma vez e esquece
- Lista de "cargos bonitos" pra atrair gente
- Algo que substitui avaliação de desempenho
- Solução pra problemas de gestão (líder ruim continua ruim com tabela)
Por que toda empresa com 30 ou mais colaboradores precisa
- Decisão de contratação: sabe exatamente quanto pagar antes de abrir vaga
- Equidade interna: ninguém ganha mais que o teto sem justificativa formal
- Promoção objetiva: critério claro elimina favoritismo
- Lei 14.611: pré-requisito do relatório de transparência salarial
- Conversa difícil: "seu salário tá no teto da banda" é mais fácil que improviso
- Atração: candidato bom valoriza empresa com estrutura clara
Método em 6 etapas (cabe em 30 dias)
1. Levantamento de cargos atuais (dias 1 a 5)
Listar todos os cargos da empresa:
- Nome atual (geralmente improvisado)
- Quantidade de pessoas no cargo
- Salários praticados (mínimo, máximo, média)
- Atividades reais executadas
Já elimina duplicidade: "Atendente Comercial" e "Vendedor de Loja" geralmente é o mesmo cargo com nome diferente.
2. Padronização com CBO (dias 6 a 10)
Cada cargo precisa de código CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) oficial. CBO é exigido no eSocial e padroniza nomenclatura.
Exemplo: "Atendente de Loja" pode virar CBO 5211-10 (Vendedor de comércio varejista). Procura no site do MTE pra encontrar o código certo do cargo.
3. Descrição de cada cargo (dias 11 a 18)
Pra cada cargo, definir:
- Sumário: 1 frase que descreve o que faz
- Atividades principais: 5 a 10 atividades concretas
- Requisitos: escolaridade, experiência, certificação
- Competências técnicas: conhecimentos específicos
- Competências comportamentais: soft skills exigidas
- Hierarquia: a quem se reporta, quem se reporta a ele
4. Pesquisa salarial (dias 19 a 22)
Coletar referência de mercado por cargo. Fontes:
- Pesquisas pagas (Catho, Mercer, Hays — caras mas precisas)
- Sindicato da categoria (CCT/ACT geralmente tem piso)
- Plataformas livres (Glassdoor, Vagas, Love Mondays)
- Benchmark de empresas pares (informal mas funciona)
Posicionamento da empresa: paga no piso, na média ou no teto do mercado? Decisão estratégica que influencia atração e retenção.
5. Definição de bandas salariais (dias 23 a 26)
Pra cada cargo, definir:
- Mínimo (entrada): piso pra contratar alguém novo no cargo
- Médio: referência pra colaborador estabelecido
- Máximo (teto): até onde pode chegar antes de precisar promover
Amplitude típica: do mínimo pro máximo, 30% a 60% (varia por nível). Cargo operacional tem banda menor. Cargo de gestão tem banda maior.
6. Política de progressão (dias 27 a 30)
Critério objetivo pra subir dentro da banda:
- Tempo no cargo (mínimo de meses pra cada faixa)
- Avaliação de desempenho (nota mínima)
- Treinamentos e certificações concluídos
- Resultados mensuráveis atingidos
E critério pra ser promovido pra próximo cargo:
- Vaga aberta (sem vaga, não promove)
- Atendimento aos requisitos do cargo superior
- Avaliação positiva
- Aprovação do gestor + RH
Modelo simplificado de tabela
| Cargo | CBO | Nível | Mínimo | Médio | Máximo |
|---|---|---|---|---|---|
| Atendente | 5211-10 | Júnior | R$ 1.500 | R$ 1.800 | R$ 2.100 |
| Atendente | 5211-10 | Pleno | R$ 2.100 | R$ 2.500 | R$ 2.900 |
| Atendente | 5211-10 | Sênior | R$ 2.900 | R$ 3.400 | R$ 3.900 |
| Líder de Equipe | 4101-05 | — | R$ 4.000 | R$ 4.800 | R$ 5.600 |
| Gerente de Loja | 1416-20 | — | R$ 6.000 | R$ 7.500 | R$ 9.000 |
Os 5 erros mais comuns
- Copiar tabela de outra empresa. Cargo igual no nome pode ter atividade diferente. Cada empresa tem que mapear o seu.
- Banda muito apertada. Mínimo e máximo iguais (ou quase) tira o sentido da banda. Mínimo de 25% de amplitude.
- Não revisar anualmente. Mercado muda. Inflação corrói. Plano de cargos sem reajuste anual fica desatualizado em 12 meses.
- Não comunicar pra equipe. Tabela escondida não vale. Colaborador precisa saber onde está e como sobe.
- Não respeitar a tabela. Líder dá aumento "fora da política" porque "é exceção". Em 6 meses, a tabela vira ficção.
Como o RhAgil resolve
O módulo Cargos & Salários do RhAgil:
- Estrutura tabela de cargos com CBO oficial integrado
- Define bandas salariais com base em pesquisa de mercado
- Política de progressão com critério objetivo
- Comparativo automático: salário praticado vs banda
- Alerta quando colaborador chega no teto
- Geração automática do Relatório de Transparência Salarial (Lei 14.611)
- Histórico de evolução de cada colaborador na banda
- Dashboard de equidade salarial por sexo, raça e idade
Bora estruturar de uma vez
Sem plano de cargos formal, qualquer empresa em crescimento vira zona em 18 meses. Conhece o RhAgil e estrutura sua tabela de cargos em 14 dias, com Lei 14.611 já cumprida de quebra.
Método sustenta a magia. Cargos e salários é base, não enfeite. Quem estrutura agora não briga por aumento depois.
Helenita Brum — CEO RhAgil. 15+ anos de RH, ISO 9001 e GPTW certificadas.
Por Helenita Brum